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Zeca Baleiro
Composição: Zeca Baleiro
Quando você pinta tinta, dessa tela cinza
Quando você passa doce, dessa fruta passa
Quando você entra mãe-benta, amor aos pedaços
Quando você chega nega fulô
Boneca de piche
Flor de azeviche
Você me faz parecer menos só
Menos sozinho
Você me faz parecer menos pó
Menos pozinho
Quando você fala bala, no meu velho oeste
Quando você dança lança flecha, estilingue
Quando você olha molha meu olho que não crê
Quando você pousa mariposa morna, lisa
O sangue encharca a camisa
Você me faz parecer menos só
Menos sozinho
Você me faz parecer menos pó
Menos pozinho
Quando você diz, o que ninguém diz
Quando você quer, o que ninguém quis
Quando você ousa lousa pra que eu possa ser giz
Quando você arde, alardeia sua teia cheia de ardis
Quando você faz a minha carne triste, quase feliz
Começar o diário com música ou poesia é sempre bom. Não me esqueço das palavras de Madalena Freire, “ ser docente é sonhar”.
Esses sonhos o que são? Por muito dias pensei nisso.
Então percebi que os sonhos são vários, são os meus, o da escola, o da UFG em estar realizando com excelência seu primeiríssimo curso na EaD e de artes!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
São os sonhos de minha orientadora, da tutora, que por sinal quero deixar muito bem registrado, ótima tutora. São os sonhos de milhões de brasileiros que torcem por um Hexa se esquecendo do mundo em sua volta. Num coro de felicidade “Hexa Capeão” que nenhuma catástrofe natural abala, nenhuma jogada eleitoral, nada-nada desfocalisa essa Comunidade Brasil Melhor Futebol do mundo. Os gritos de “eu sou brasileiro, com muito orgulho, com muito amor” saem quase naturalmente, diante de qualquer placar da seleção favorita. Quisera eu ouvir esses gritos mais vezes. Mas essa voz só é ouvida de quatro em quatro anos.
Assim está meus sonhos, mesclados com os de tantos outros. Gente que é gente sonha, já dizia o poeta. Então é por sonhar neste sonho de docente que termino essa etapa de meu Diário de Bordo dessa disciplina.
Muitas coisas sonhadas, algumas realizadas, quase todas planejadas.
Ao escrever o relatório não posso deixar de pensar nos educadores que me inspira. Não posso deixar de lembrar das sábias palavras de Ana Mae “ num país onde ganha eleições pela TV, leitura de imagem é no mínimo humanizador”. Também “ressuscito” Darcy Ribeiro para olhar de perto o que deu sua tal Educação a Distancia, numa Universidade vizinha daquela que ele sonhou. Não menos sonhador foi Anísio Teixeira onde a folha educa a raiz e a escola pública seria o caule. Nas doces palavras de Cecília Meireles, meus sonhos voaram longe e se me permite José Saramago em usar de sua “mania” crio aqui um neologismo para expor meus sonhos. Sonhei laicamente. Em suma, todos esses meus sonhos estão apenas tendo continuidade, pois um dia todos esses pensadores tentaram democratizar a educação. Paulo Freire foi mais longe, em pensamento e em exílio, lutou e concretizou o sonho da educação de adultos, a tal pedagogia do oprimido que liberta e faz a gente pensar que é gente. Talvez ele não imaginava que no século XXI estaríamos tentando a passos de formiga, hermeneuticar suas simples lições do B+A=BA, penso na licenciatura Intercultural dessa minha Universidade do qual fiz um pequeno estágio, mas com grande orgulho.
Será que educar e capacitar índios é ser educador-libertador, Sr. Freire?
Será que levar a Universidade até Pólos distantes é ser menos-opressor de Jovens e Adultos dos interiores do Estado?
Será que as Escuelas AL Aire Libre conseguiram com excelência “levantar” a auto-estima Mexicana, assim como a EaD conseguiu valorizar os discentes-docentes arte-educadores?
É eu ainda não sei...
Faltam mais três semestres para eu tentar responder minhas próprias perguntas.
Agradeço ao Colegio José Honorato por me receber e deixar-me tão à vontade para realizar meus trabalhos academicos, contribuído substancialmente para minha formação docente.
quinta-feira, 1 de julho de 2010
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